Instante IBGC Bate-Papo: Kip Garland – coordenador do programa do curso Inovação para Conselheiros

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Bate-Papo – Kip Garland, coordenador do programa do curso Inovação para Conselheiros

A imagem do conselho de administração formado por executivos experientes e dispostos a transferir conhecimentos acumulados ao longo da vida profissional está ficando para trás. O conselheiro atual transmite experiência ao mesmo tempo em que acumula novas competências. Para atender a esse cenário de troca de saberes, o IBGC lança o curso Inovação para Conselheiros. “O conselheiro do futuro deixará de ser o guardião do modelo de negócio para ser aquele que pensa na transformação disruptiva de vários setores do negócio”, afirma Kip Garland, coordenador do programa. A proposta do curso é mudar a mentalidade dos profissionais que atuam em conselhos de administração. Segundo Garland, que também é fundador da consultoria innovationSEED, tecnologias emergentes criam oportunidades para desenvolvimento de novas soluções, mas também geram riscos para as empresas que não tiverem agilidade suficiente para acompanhar a transformação. Neste cenário, o conselheiro se torna um guia na condução da companhia rumo ao futuro. Confira mais sobre o curso, que estreia em 15 de outubro, na entrevista a seguir.

Qual é a proposta do IBGC com o curso Inovação para Conselheiros?

O curso vai capacitar o conselheiro para o futuro no qual a tecnologia tem papel cada vez mais importante nos modelos de negócio. Antigamente, os negócios eram classificados de duas formas. A “molecular” reunia as atividades ligadas ao mundo físico, como manufatura, agricultura e construção. A segunda, chamada de bits and bytes, agrupava atividades digitais, como a indústria de softwaree as telecomunicações. Daqui para frente, todos os negócios serão digitais. Tecnologias como internet das coisas, big data, automação de processos por robôs e blockchainserão itens significativos na cadeia de valor. Os setores que eram moleculares estão rumo à transformação digital. O conselheiro, portanto, deverá ser capaz de tomar decisões de forma inovadora.

O conselheiro de administração terá novas funções?

O conselheiro era visto como uma pessoa experiente, confiável e com capacidade de tomar boas decisões na mais alta instância da empresa. Esse papel continuará existindo. O conselheiro do futuro deixará de ser o guardião do modelo de negócio para ser aquele que pensa na transformação disruptiva de vários setores do negócio. Não é possível delegar essa função somente para a direção executiva. São mudanças que poderão definir o sucesso da empresa. O conselho é a última instância de decisão. O conselheiro precisará ter uma profunda visão dos riscos envolvidos e a governança da empresa nesta realidade. Ele deverá saber como guiar a transição para a companhia do futuro. Mudam as competências do conselheiro? São três os elementos críticos para o conselheiro do futuro. O primeiro é a mudança do mindset, das referências na tomada de decisões. O novo conselheiro tem que ter pensamento disruptivo – que é uma forma de raciocinar diferente de quando os negócios dos mundos físico e digital eram separados. O conselheiro precisa misturar esses dois mundos e pensar como a tecnologia impacta o negócio. Outra competência é avaliar a estrutura organizacional. As empresas ainda usam modelos do século 19, com hierarquias verticalizadas e decisões centralizadas. No mundo disruptivo a estrutura é enxuta e os níveis hierárquicos, horizontalizados. As empresas precisam se adaptar à agilidade, pois não mudar no mesmo ritmo do ambiente de negócios é a receita para um desastre. O terceiro elemento é o que chamo de way of working, que significa a maneira efetiva como o conselheiro trabalha. O profissional vai adaptar seu trabalho guiado pela inovação, levando um negócio para o futuro, mas com bases no negócio que foi construído no passado.

O programa do curso inclui um módulo sobre análise de rede de valor. O que será trabalhado neste tópico?

Desenvolveremos a capacidade de o conselheiro ter uma visão sistêmica para capturar oportunidades de negócio. Ou seja, identificar brechas para criar soluções disruptivas, como foi o caso do Uber. Passageiros, carros e motoristas já existiam, mas a empresa viu a oportunidade de agregar valor à relação entre as partes. Estudar os desejos e as necessidades do cliente é pesquisar o passado. No futuro o que importa são as relações entre partes e desenvolver sistemas que criem valor.

De que maneira a tecnologia será abordada no curso?

Não faz parte da grade do curso ensinar como funcionam as novas tecnologias ou programação. O conselheiro Qual é a proposta do IBGC com o curso Inovação para Conselheiros? O curso vai capacitar o conselheiro para o futuro no qual a tecnologia tem papel cada vez mais importante nos modelos de negócio. Antigamente, os negócios eram classificados de duas formas. A “molecular” reunia as atividades ligadas ao mundo físico, como manufatura, agricultura e construção. A segunda, chamada de bits & bytes, agrupava atividades digitais, como a indústria de software e as telecomunicações. Daqui para frente, todos os negócios serão digitais. Tecnologias como internet das coisas, big data, automação de processos por robôs e block-chain serão itens significativos na cadeia de valor. Os setores que eram moleculares estão rumo à transformação digital. O conselheiro, portanto, deverá ser capaz de tomar decisões de forma inovadora. O conselheiro de administração terá novas funções? O conselheiro era visto como uma pessoa experiente, confiável e com capacidade de tomar boas decisões na mais alta instância da empresa. Esse papel continuará existindo. O conselheiro do futuro deixará de ser o guardião do modelo de negócio para ser aquele que pensa na transformação disruptiva de vários setores do negócio. Não é possível tem que se preocupar com os porquês e o que deve ser feito, e não saber como fazer. Ele tem que ver a tecnologia como uma ferramenta para capturar oportunidades para o negócio, entender como ela pode impactar os diferentes segmentos econômicos. A tecnologia utilizada no aplicativo do Uber, por exemplo, é muito simples. Ela é acessível a qualquer um e não precisa de um guia para usa-la. O que a empresa fez foi mudar o relacionamento entre motorista, passageiro e carro. A tecnologia tem que ser utilizada para simplificar as coisas e não para complicar. O conselheiro tem que entender o sistema onde o valor será criado e como o emprego das tecnologias emergentes se torna uma oportunidade para o negócio.