Esta na hora de mudar o diálogo sobre inovação

Eu trabalho com inovação desde 1999 quando me juntei à Strategos (consultoria de inovação do guru Gary Hamel) para liderar a implementação na América Latina do projeto global de inovação para Whirlpool (Marcas brasileiras – Brastemp e Consul).

Desde então, tenho trabalhado com diversas empresas ajudando-as a desenvolver e implementar idéias de inovação. Mesmo assim, depois de toda essa experiência (incluindo um caso da Harvard Business School que foi escrito sobre nosso projeto) eu passei a acreditar que a chave para a inovação não é TER UMA GRANDE IDEIA…

Precisamos uma dramática mudança de foco de nosso pensamento sobre inovação.

… Isso soa como insubordinação completa, já que as idéias se encontram no coração do processo de inovação. Grandes quantidades de tempo são gastas falando sobre a geração de idéias (criatividade, colaboração, portal de idéias, inovação aberta, incentivos a inovação, etc.) e gerenciamento de idéias (plataformas, portões, sistemas de gerenciamento de idéias, fundos para idéias, etc.). Porém depois de mais de 10 anos de trabalho no ponto crucial do problema da inovação, eu agora creio que desenvolvemos as respostas certas…
…para as perguntas erradas.

Contexto cria conteúdo

O coração da inovação esta no contexto da idéia, e não a idéia em si. O contexto da idéia muda nosso foco de “o que é a idéia” para “quais são as forças internas e externas que entraram em cena quando a idéia for explorada”.

Isso é extremamente importante por que:

1 – A idéia só se torna aparente depois de sucessivas interações de descoberta, exploração e teste das premissas

2 – Um foco no contexto a redor da idéia revela que os verdadeiros problemas para inovação não envolve a criação e gerenciamento de idéias, mas sim como gerar a capacidade organizacional ao descobrir novas respostas para novas perguntas estratégicas.

Em futuras posts eu explorarei contexto – seja as forças internas e externas cruciais para o sucesso da inovação. Espero desenterrar mais questões do que respondê-las, provocando então novo aprendizado. Algumas coisas a serem exploradas incluem:

Contexto interno:

  • Estrutura – qual é a definição de sucesso para a sua empresa?
  • Definição – quais são as forças internas que moldam oportunidades?
  • Recursos – quais são as forças de alocação que definem quais idéias são financiadas?

Contexto Externo:

  • Mercado – quais são as grandes questões que esperamos que a inovação responda?
  • Competitividade – quais são os verdadeiros insights nas quais o negócio está baseado?
  • Crescimento – qual é a natureza intrínseca de crescimento e como estruturamos a inovação para o crescimento?

 

Apesar de haver muitos conselhos, há uma falta de padrões de pensamento coerente sobre inovação.

Há uma tonelada de artigos, “portais de inovação” etc. com incontáveis conselhos sobre o que fazer… e mesmo assim, chocantemente poucas empresas inovadoras no Brasil. Temos que entender as forças internas e externas intrínsecas que surgem quando alguém tenta inovar para podermos realmente desenvolver um melhor pensamento sobre o processo de inovação.

Vamos fazer isso juntos.

Kip Garland