Por que as grandes empresas brasileiras não são disruptivas?

Apesar de inovação ser a moda da vez, com diversas empresas se apresentando como inovadoras, o brasileiro ainda paga caro por serviços básicos como acesso a internet, serviços bancários, de saúde como tantos outros. Isso ocorre porque investem em inovação incremental, que torna os produtos ou serviços ainda mais caros, uma vez que há uma melhoria na qualidade dos mesmos. Porém, para que o serviço se torne mais acessível, é necessário que haja disrupção, remodelando o produto ou serviço de forma que ele se torne mais acessível e, ainda sim, resolva o problema de seu cliente. Pegando a uber como exemplo, sabemos que no Brasil o transporte é caro e ineficiente, enquanto isso as grandes empresas do setor de transporte continuavam investindo em melhorias de seus produtos, como a performance dos automóveis, os tornando cada vez mais caros, enquanto que a uber elaborou um aplicativo, que necessitava um investimento em tecnologia muito menor, e acabou oferecendo um novo serviço mais acessível, que se dispõe a resolver o problema da locomoção.

Se há um enorme mercado consumidor, grandes empresas que podem investir em inovação e diversas oportunidades, por que a disrupção não ocorre nas empresas brasileiras?

Fora a dificuldade em se gerenciar a inovação dentro da organização, há três motivos estruturais que provocam esse cenário, que serão explicados a seguir.

Mercados dominados por poucos players

A maior parte do mercado brasileiro é dominado por grandes empresas, seja no formato de monopólio ou oligopólio, que torna as empresas menos competitivas. Dessa forma, não há um esforço por parte dessas organizações em investir em inovação, uma vez que inovar custa caro e é uma atividade que envolve muito risco.

O mercado financeiro é um exemplo que continua pouco inovador, oferecendo opções digitais que não são mais acessíveis que os outros produtos consolidados há anos. Para piorar, o setor vem perdendo atuantes, como o Citi, o HSBC e o Bank of America, por conta do excesso de regulamentação, que é uma barreira para bancos estrangeiros uma vez que é necessário gastar muito esforço para seguir as demandas da legislação brasileira, que inviabiliza o investimento no Brasil e o que torna o cenário ainda pior.

Alianças invisíveis

Quase como consequência do primeiro fator, o surgimento de alianças informais entre as empresas influenciam no mercado, pois, em uma situação de disrupção, muitas dessas empresas perderiam uma parcela expressiva do mercado em que atuam, e, por se tratar grandes empresas com muito poder, ninguém se dispõe a comprar essa briga. Ou seja, as empresas acabam se organizando de forma a não prejudicar o funcionamento da outra, como se fossem “alianças invisíveis” que prejudicam a competitividade e, consequentemente, a inovação.

Espera por uma solução vinda do governo(que não vai chegar)

Nesse cenário, todos esperam que o governo seja um agente que impulsiona a inovação, porém, esse posicionamento traz várias consequências negativas. O governo tem um papel no incentivo e financiamento de pesquisas, mas para oferecer vantagens significativas para as empresas poderem inovar, é necessário que esse financiamento venha por meio de tributação, que acaba tornando esse benefício ainda mais caro para as empresas ou para a população. Além disso, na maioria dos casos, esses projetos estão vinculados à partidos políticos envolvidos em corrupção. Dessa forma, a inovação deve surgir do esforço das próprias empresas, que veem nela uma oportunidade de conquistar novos mercados, e o governo deve ser um agente secundário, que direciona seus investimentos sobretudo para a área de pesquisa, necessária para que haja novas tecnologias.